16/03/2012

Mães cobram cadastro estadual de desaparecidos


Mães de crianças e adolescentes desaparecidos e entidades que atuam em prol do tema levaram banho de água fria na sexta-feira. Isso porque o projeto de criar cadastro para reunir os cerca de 20 mil casos de desaparecimento no Estado foi vetado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).
A expectativa era de que, com um banco estadual de informações sobre pessoas com paradeiro desconhecido, o Cadastro Nacional de Desaparecidos, criado há dois anos, finalmente funcionasse. "Nossa luta começou há 16 anos. Desde então muita coisa melhorou, mas ainda é necessário que esse tema seja tratado com carinho pelas autoridades", considera a presidente da ONG Mães da Sé, Ivanise Esperidião.
A proposta 463 de 2011, de autoria do deputado Hamilton Pereira (PT), estabelece a Política Estadual de Busca a Pessoas Desaparecidas e retornou ontem à Assembleia para ser analisada novamente. "Essa notícia é lamentável e mostra que o assunto não é prioridade para o governo estadual", afirma o presidente da Fundação Criança de São Bernardo, Ariel Alves.
REGIÃO
De acordo com o último levantamento, realizado em 2010, em média duas crianças ou adolescentes desaparecem por dia na região, contabilizando 596 boletins de ocorrência. Foram 301 casos na delegacia de Santo André (que atende também os municípios de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), 232 na delegacia de São Bernardo (que inclui São Caetano) e 63 na unidade de Diadema.
Cerca de 200 mil pessoas desaparecem por ano no Brasil, sendo 40 mil crianças e adolescentes.
EXPOSIÇÃO
Até o dia 26, quem passar pelo saguão do Paço Municipal de São Bernardo poderá conferir a 1ª Exposição Fotográfica Itinerante de Crianças e Adolescentes Desaparecidos. A mostra, que conta com 34 fotos de desaparecidos da Região Metropolitana, chama a atenção da sociedade para o tema e dá esperança para aqueles que procuram um ente querido. Em duas imagens há uma tarja indicando que os meninos, de 6 e 14 anos, foram localizados.
Feliz da vida, a dona de casa Maria de Fátima Arruda Paz, 53 anos, exibia o neto, Vinicius da Paz Almeida, 6, pelo saguão. O garoto ficou desaparecido por 15 meses, período em que foi mantido pelo pai em cativeiro, no Espírito Santo. Após o retorno para casa, em Mauá, em janeiro, a felicidade da família ficou completa. "A gente nunca desistiu porque tinha certeza de que ele estava vivo", garante a avó.
http://www.dgabc.com.br/News/5946636/maes-cobram-cadastro-estadual-de-desaparecidos.aspx  

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