06/03/2012

Série mostra drama de quem tem parentes desaparecidos, em PE


 A falta de informações sobre um filho, um neto, um parente próximo, atormenta dezenas de famílias em Pernambuco. Crianças e adolescentes são a maioria entre os desaparecidos. Eles saíram de casa e não voltaram mais. Esse é o assunto de uma série de reportagens que o NETV 1ª Edição exibe esta semana.

A matéria desta segunda-feira (5) mostrou o triste relato de uma avó que há três meses não tem notícias do neto. Heitor, 5 anos, desapareceu no dia 3 de dezembro do ano passado. Naquela data, a criança esteve em uma festa de aniversário na escola, pela manhã. De acordo com as investigações policiais, horas mais tarde, o menino foi com a mãe, a professora Izaelma Tavares, à casa do pai, o policial civil Eduardo Moura Mendes, onde iria passar o fim de semana. O homem teria atirado na mulher e fugiu levando o filho.

A mãe do menino não resistiu aos ferimentos e morreu. “É uma dor do tamanho do universo, muito grande. Eu só consigo parar quando eu durmo. Quando eu acordo, eu estou vendo o filme, o filme da dor”, disse a avó de Heitor e mãe de Izaelma, dona Antônia Vieira. Do dia do crime, sobraram a cadeirinha onde a criança estava sentada no carro da mãe, as fotografias que registraram as cenas da festa na escola e a lancheira. “Eu guardo isso porque foi o último momento que ele esteve com a mãe. Eu não tenho nem noção do que pode estar acontecendo neste momento com ele”, lamentou.

O desaparecimento de Heitor não é classificado como sequestro, porque o menino foi levado pelo pai, que - na ausência da mãe - tem a guarda garantida por lei. Mas o policial é suspeito de assassinar a ex-mulher e está foragido da Justiça. O Ministério Público pediu à polícia empenho nas buscas.

InvestigaçãoSó que nem sempre a família e a polícia sabem quem levou a criança ou o adolescente. Além de sequestros, outros crimes podem estar envolvidos. O sumiço, principalmente de adolescentes, revela problemas sociais, como a violência doméstica e as drogas. “Entre os adolescentes existem muitos conflitos com os pais, uso de drogas, prostituição, exploração sexual, maus tratos. Os adolescentes não suportam a carga de maus tratos físicos e psicológicos que aquela família impõe a ele, e tende a desaparecer. Os casos mais graves são os de crianças que planejam esse desaparecimento e são levadas por pessoas”, explicou o gestor da Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA), Zanelli Alencar.

A GPCA é responsável por investigar tudo que envolve crianças e adolescentes em Pernambuco. Não há uma equipe exclusiva para cuidar de desaparecimentos. Entre 2007 e janeiro deste ano, 1.765 crianças e adolescentes desapareceram no Estado. A maioria, meninas. Desse total, 1.635 foram encontrados. A polícia ainda não sabia o paradeiro de 130 pessoas.

EspecializadaNo país, apenas quatro estados investiram em delegacias especializadas para cuidar desses casos. A mais antiga fica em São Paulo, criada em 1935. Só no ano passado, foram mais de 23 mil casos de desaparecimentos e quase 80% deles foram solucionados. O estado do Paraná também conta com uma delegacia especializada em crianças e adolescentes desaparecidos, fundada em 1995. Apenas dez inquéritos ficaram sem solução entre 1996 e 2011. No ano passado, todos os 66 casos registrados foram desvendados pela polícia.
Esse tipo de delegacia também existe em Minas Gerais, há cinco anos. Neste período, foram mais de 4,3 mil ocorrências. A maioria das pessoas já foi encontrada. Em janeiro deste ano, a polícia ainda investigava 394 casos. A mais nova fica na Bahia. Foi inaugurada no dia 1° de março. Nos dois primeiros dias de funcionamento, a delegacia registrou cinco casos - um foi solucionado.
Sobre a possibilidade de Pernambuco ganhar uma delegacia especializada, Zanelli Alencar informou que esta solicitação já foi feita à Secretaria de Defesa Social (SDS). “Isto está sendo analisado de acordo com a estrutura que a Polícia Civil dispõe hoje. [A criação da delegacia especializada] faria diferença [no trabalho da polícia] porque os delegados e as equipes que estivessem nessa delegacia cuidariam com exclusividade, dedicariam mais tempo e se especializariam melhor no desaparecimento e, com certeza, teriam mais sucesso”, falou.

Denúncia
Quem souber qualquer informação sobre o pai de Heitor, Eduardo Moura Mendes - que é foragido da Justiça - pode ligar para o Disque-Denúncia. Na Região Metropolitana do Recife e na Zona da Mata do Estado, o número é (81) 3421-9595. No Agreste e Mata Sul, (81) 3719-4545. Não é preciso se identificar. Nesta terça-feira (6), a segunda reportagem da série "Desaparecidos" vai mostrar como a polícia trabalha em caso de desaparecimento.

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