02/07/2012

'Para onde estão indo nossos filhos'


Elas se uniram e transformaram a saudade em alavanca de um movimento social: a ABCD (Associação Brasileira de Busca e Defesa de Crianças Desaparecidas), conhecida como Mães da Sé. A entidade, presidida por Ivanise Esperidião da  Silva Santos, surgiu em 1996, para responder uma pergunta que atormentam as mães que têm seus filhos desaparecidos: “Para aonde estão indo nossos filhos?”, questiona Ivanise. 

A filha dela, Fabiana Esperidião da Silva, desapareceu quando tinha 13 anos,  no dia 23 dezembro de 1995, ao voltar da casa de uma amiga. Um ano depois, Ivanise se encontrava com outras  mães de crianças desaparecidas para as gravações da novela “Explode Coração”, da Rede Globo, em 1996. 

A trama de Glória Perez abordava o sofrimento de famílias que procuravam entes desaparecidos. Nela, as mães tinham a oportunidade de expor seu caso em rede nacional e divulgar a imagem de seus filhos.

Ivanise  participava das gravações e, por lá,  conheceu mulheres que faziam parte do grupo “Mães da Cinelândia”, do Rio de Janeiro, e as do “Movimento Nacional em Defesa das Crianças Desaparecidas”, no Paraná. Ambos atuam na divulgação de casos de pessoas desaparecidas no país. Como esse tipo de trabalho era feito apenas nos dois estados, Ivanise decidiu fundar a  organização em São Paulo. 

A emissora, que está no ar com a novela “Amor, Eterno Amor”, continua fazendo inserções de fotos de crianças desaparecidas no final de cada capítulo. “Os veículos de comunicação têm nos ajudado muito. Sem a imprensa, não teríamos encontrado a metade dos desaparecidos”, disse Ivanise.

A cada dois  domingos, das 10h às 12h, as nove  mil mães filiadas à entidade fazem uma manifestação silenciosa nas escadarias da Catedral da Sé.

Entre elas está Terezinha Pinheiro Cotrin Caroli, de 54 anos, o filho dela, Pedro Luís Caroli, saiu de casa para trabalhar no dia 11 de maio de 2009 e nunca mais voltou.  Ele tinha 18 anos. “É um mistério. Mas vou procurá-lo até o último dia da minha vida.”

O mesmo pensamento é compartilhado por Maria Helena Alves, de 59 anos. Ela não desiste de procurar o filho Aparecido Alves que desapareceu na véspera do Natal, em 1993. 

“Passo horas olhando pela janela esperando ele aparecer andando pela rua. Não sei o que é ter uma noite de sono tranquila depois que ele sumiu”, disse ela.  

Sobreviventes /Ivanise, Sibrian, Francisca, Terezinha, Maria Helena  e outras tantas mães dividem, além da dor de não ter respostas sobre o desaparecimentos de seus filhos, a certeza de um dia encontrá-los. “Não somos guerreiras. Somos sobreviventes!”, afirma Ivanise.

Novo programa
O governador Geraldo Alckmin lançou anteontem o programa “São Paulo em Busca das Crianças e dos Adolescentes Desaparecidos”, no Palácio dos Bandeirantes. Em parceria com a Secretaria de Segurança Pública, além das Secretarias de Educação, Saúde, Justiça e Desenvolvimento Social, o programa possui a inovação de sistema de progressão de idade que possibilita criar imagens em três dimensões de como as pessoas desaparecidas estariam atualmente. Para isso, o sistema usa fotos fornecidas pela família para projetar as feições desses desaparecidos, mesmo anos após o sumiço.  Durante o evento, o governador assinou decreto que estabelece o  dia 25 de maio como o Dia Estadual da Criança Desaparecida.

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