04/08/2013

Sobrevivente de acidente no Pantanal de MT aponta irregularidade em barco

Sobrevivente do naufrágio que deixou outras duas pessoas desaparecidas na última sexta-feira (26) no rio Paraguai, região pantaneira próxima a Cáceres (município a 250 km de Cuiabá), o turista de 34 anos G.H. (como preferiu ser identificado) prestou depoimento à Marinha e à Polícia Civil apontando que uma irregularidade na embarcação pode ter provocado o acidente. G.H. contou que, desde o início do trajeto da pescaria com outro turista e o barqueiro, estranhou o fato de que o barco a motor - de aproximadamente seis metros - se encontrava "empinado" para o lado direito, condição que se manteve ao longo de toda a rota pelo Rio Paraguai naquela tarde. Representante da pousada que contratou o barqueiro e que detém o equipamento afirma, entretanto, que não houve qualquer falha na embarcação.

“O barco já saiu empinado para a direita. Até ia ver isso com o piloteiro, mas quem sou eu pra falar do equipamento que ele usa há tanto tempo?”, relatou G.H. à reportagem do G1nesta segunda-feira (29).
Depoimento
Os turistas chegaram a Cáceres na última quinta-feira e logo se dirigiram a uma pousada localizada na região conhecida como “Baiazinha”, perto da Estrada do Barranco Vermelho, a cerca de duas horas de carro da cidade. Na sexta-feira, um grupo de turistas e barqueiros funcionários da pousada partiram para uma pescaria pelo Rio Paraguai.
Segundo G.H., no momento de retornar para a pousada, ventava muito e o barco seguia em alta velocidade. Ele chegou a pedir para o barqueiro diminui a velocidade. O barco afundou, conta G.H., quando seguia – inclinado - em alta velocidade por uma parte do rio com maior profundidade, fortes rajadas de vento e marola. Este conjunto de fatores provocou a movimentação que fez o barco virar e os ocupantes afundarem no rio.
Ao caírem na água, o barqueira ainda chegou a orientar os turistas a retirarem as botinas e parte das roupas, como as jaquetas, para não ficarem tão pesados na água. Enquanto isso, a embarcação afundava. G.H., que afirma ter experiência de cerca de uma década com barcos, conseguiu ficar nadando e boiando até ser resgatado por ocupantes do segundo barco que seguia atrás. Ele conta que desmaiou assim que foi posto no assoalho do barco.
Já o outro turista, natural de São Paulo como ele, agarrou-se ao barqueiro por não saber nadar na correnteza e os dois teriam afundado juntos. Desde então, mergulhadores do Corpo de Bombeiros e da Marinha, além de funcionários da pousada onde os turistas estavam hospedados, fazem buscas na região. Os fatos narrados por G.H. constam dos depoimentos prestados na manhã de sábado à Marinha e à Polícia Civil.
Pousada
Por sua vez, a proprietária da pousada onde os turistas estavam explicou que até mesmo a Marinha descartou a possibilidade de que a inclinação do barco mencionada por G.H. consista de fato numa falha; seria apenas a impressão resultante da oscilação no rio e da posição do condutor do barco, mas nada capaz de provocar acidentes.
A proprietária lembrou que o próprio sobrevivente declarou a ela e a outras pessoas ter tentado tirar uma foto de dentro do barco, ficando em pé, posição que teria levado ao desequilíbrio da embarcação e provocado o acidente. G.H. nega que tenha feito isso, alegando que sabe da gravidade de um movimento brusco como este.
A proprietária também esclareceu que o piloto do barco era experiente, prestava serviços com frequência e, com certeza, não incorreu em imperícia durante o trajeto. Agora, ela diz que tudo o que deseja é que seja recuperada a embarcação para uma perícia que possa elucidar os fatos; por outro lado, pondera que os ânimos exaltados a este momento tendem a buscar justificativas para o que pode ter sido tão somente uma fatalidade.
Até a manhã desta segunda-feira, segundo o tenente Raul Castro, do Corpo de Bombeiros, não havia qualquer novidade a respeito das buscas, sequer sinal de peças da embarcação ou objetos dos dois homens dados como desaparecidos – cujas famílias já foram devidamente informadas do acidente.
Iniciadas já na sexta-feira, as buscas devem durar até sete dias, segundo o protocolo dos bombeiros.

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